quarta-feira, 1 de junho de 2011

VIVER OU JUNTAR DINHEIRO by Max Gehringer

Caro leitor,

Recebi de uma aluna esse texto do Max e simplesmente achei genial. Ele vem ao encontro de tudo que penso sobre a tema. Achei tão relevante o ponto de vista, que decidi compartilhar com vocês. Leiam e comentem, fiquem a vontade.


Viver ou Juntar dinheiro? (MAX GEHRINGER)



Há determinadas mensagens que, de tão interessantes, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.



Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.



Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.



Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.

Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.





“Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO”





Que tal um cafezinho?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

SEIS MESES EM SEIS DIAS

Caros Colegas,

Hoje resolvi escrever sobre um assunto que me tirou do sério na última semana.

No dia 20 de abril de 2011, ao final da manhã a ponte sobre o Rio das Velhas (177 metros de extensão) localizada na BR-381, kilômetro 455, cedeu causando grande transtorno para uma quantidade enorme de pessoas. Ela foi totalmente interditada nos dois sentidos BH - Vitória - BH.

Para o leitor que não é de Minas Gerais é bom dar uma pequena noção do tamanho do problema que estamos tendo por aqui. Essa estrada é a que liga a capital mineira (fica algo em torno de 5 km do final do anel rodoviário, bem perto da cidade) e liga BH a importantes cidades do interior como Santa Luzia, Caeté, Itabira, Manhuaçu e outras mais até a cidade de Vitória, capital Capixaba e suas centenas de praias.

O incidente ocorreu na véspera do último grande feriado do ano, só quem passou por Santa Luzia e Sabará nesse dia consegue descrever o tamanho do transtorno que foi. Pessoas que gastariam 6 a 8 horas para chegar às praias do litoral, acabaram gastando algo entre 12 e 16 horas, experiência que não desejo nem para meu pior inimigo. Eu pessoalmente não fui para lá, mas tive relatos de vários conhecidos. No entanto presenciei de perto o problema pois sou morador de Santa Luzia, cidade que está sendo utilizada como o principal desvio para carros, carretas, ônibus e tudo mais que usa a rota. Sabará também é outra cidade que está sofrendo com o problema. Veja essa matéria (http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/04/28/interna_gerais,224120/ponte-interditada-leva-caos-a-santa-luzia.shtml)

O amigo leitor pode estar se perguntando porque falei de "seis meses em seis dias". A promessa que o Governo Federal está fazendo para arrumar a ponte é de 6 meses, sendo que antes tentarão fazer uma ponte metálica sobre o rio para liberar o trânsito. O exército que ficaria a cargo de fazer essa ponte já fala em algo em torno de 1 a 2 meses para sua execução, até lá o sofrimento dos envolvidos continuará a ser grande.

Gostaria de fazer agora uma comparação com a catástrofe do terremoto/tsunami do Japão que aconteceu mês passado. Não é necessário colocar aqui as proporções da tragédia, mas gostaria de me ater a um pequeno fato que nos chama atenção.

Uma rodovia na região de Naka no país afetado pela tragédia teve um trecho de 150 metros de sua estrada totalmente destruído, naturalmente devido a força do terremoto. Veja a figura ao lado.

Acontece que esse trecho de 150 metros foi corrigido em apenas 6 dias. Isso mesmo, não escrevi errado, em APENAS 6 DIAS. Que o povo japonês é um povo aguerrido que já deu a volta por cima várias vezes em sua história, isso não é nenhuma novidade. E que eles também são muito competentes, possuidores de uma tecnologia de ponta no planeta, também é fato conhecido de todos.

Mas o que acontece com uma diferença tão grande assim? Porque uma ponte que cedeu alguns centímetros aqui no Brasil há uma hipótese (veja bem, é apenas uma HIPÓTESE) de que será reconstruída em 6 meses, enquanto um trecho de 150 metros totalmente arrasado é reconstruído perfeitamente em apenas 6 dias. Está duvidando? Veja a foto ao lado com o trecho já totalmente reconstituído, apenas 6 dias depois (NÁO ME CANSO DE FALAR).


Vamos tentar entender? Será que os japoneses são mais inteligentes que nós? Acredito que não... Tem mais força de vontade? Talvez sim...  Mas acredito que não seja aí que o problema reside. Tudo indica que seja um problema de falta de vontade política. Por que tudo no Brasil é mais difícil? Por que aqui as disfunções da burocracia nos prejudicam tanto? Gostaria de saber o porquê de termos tanta dificuldade para lidar com um problema tão sério como esse que está prejudicando milhões de pessoas que dependem da maldita ponte que rebaixou alguns centímetros.

Agora o mais trágico: Essa ponte tem um longo histórico de "remendos" e soluções paliativas. Veja só o que extraí de uma matéria veiculada no jornal Estado de Minas no dia 27 de abril de 2011.Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre) a ponte tinha uma previsão para receber mais ou menos 500 veículos por dia, e hoje em dia o fluxo é de mais ou menos 50 mil. Todo esse fluxo hoje passa por dentro da cidade Santa Luzia e alguns em Sabará. Sabe-se que a ponte tem mais de 5 décadas, e "faltando dois anos para completar o trigésimo aniversário, em 1985, a ponte apresentou o primeiro problema mais sério. Por causa do desassoreamento do Rio das Velhas, a água baixou cerca de seis metros e, por isso, foi preciso reforçar a fundação, evitando que a estrutura sofresse com trepidações. Passados 10 anos, novo comprometimento obrigou a contratação de empresa para instalar cabos sob a estrutura, para garantir estabilidade. Depois de mais quatro anos, em 1999, a exposição de ferragens mostrava mais uma vez a condição precária da ponte. De lá para cá, segundo o Dnit, eram feitas vistorias periódicas para avaliar, entre outros itens, a condição da estrutura. A última inspeção foi feita em fevereiro e a empresa deu aval para que o tráfego fosse mantido, apesar de prever a necessidade de intervenções na obra de arte durante o processo de duplicação da rodovia, previsto para começar naquele trecho ainda este ano. “Não detectaram nada grave. Nenhum problema aparente”, diz o superintendente do Dnit em Minas, Sebastião Donizete. Dois meses depois da vistoria, na quarta-feira passada, a ponte cedeu. (PRF)."

Há relatos de que muitos moradores da região vinham alertando as autoridades sobre as condições da ponte.

Pelo que parece o famigerado e altamente negativo "jeitinho brasileiro" andou atuando na manutenção da ponte em questão. Foram empurrando com a barriga o problema até acontecer isso, e nesse artigo nem vou entrar na questão da precariedade que se encontra a BR-381, mais conhecida como Rodovia da Morte.

Caros amigos,
Quantas "pontes do rio das velhas" temos pelo Brasil afora? O que precisa ser feito para que nossos impostos e tributos sejam aplicados verdadeiramente em benefício para as populações?

Me desculpem pela indignação, mas os governantes tem que saber o tamanho da seriedade do problema. Aí eu pego o jornal e fico sabendo que está para ser aprovado a construção de um trem bala que ligará RJ-SP, com orçamento de dezenas de bilhões de dólares. E sabemos que passa e muito disso, esse é o problema. Peguem essa grana e arrumem as estradas brasileiras, ou que peguem essa grana e invistam em metrô nas grandes cidades.

Vamos parar de brincar e começar a agir com mais seriedade, o povo não merece esse desrespeito.

Já cheguei a conclusão que se a ponte nova ficar pronta em 6 meses vou é comemorar. Vamos aguardar, o incidente foi no dia 20 de abril, eles tem até 20 de outubro para entregar.

É ver para crer.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

TRÍPLICE FRONTEIRA - O DINAMISMO DA ATIVIDADE TURÍSTICA NA REGIÃO

Tive uma bela experiência turística no final do mês passado, quando viajei a passeio para a cidade de Foz do Iguaçu/PR.


Fui, junto de mais 9 pessoas, para a região que é privilegiada pela natureza e conta também com belas obras que mostram a capacidade do ser humano de usar os recursos naturais em seu proveito.


Foz do Iguaçu está no extremo oeste do estado do Paraná e faz fronteira com outras duas cidades que já estão em outros países que compõe a tríplice fronteira: Puerto Iguazu (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai). A cidade é relativamente grande (256.000 habitantes - censo 2010) e organizada com vias largas, belas praças, um povo hospitaleiro e obviamente uma natureza exuberante, de uma beleza raríssima no planeta.


Abaixo serão apresentados uma série de fatores que, em conjunto, levam a cidade a ser o segundo destino mais visitado por visitantes estrangeiros no Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro. Considero que, infelizmente, não tive o devido tempo para conhecer todas as atrações que a cidade oferece, mas por um lado tenho bons motivos para voltar a região, que facilmente precisa de pelo menos uns 4 ou 5 dias para ser conhecida com qualidade por um visitante mais exigente.


Na sexta-feira cedo (dia 25 de março) saimos do hotel e fomos para o Parque Nacional do Iguaçu. Posso afirmar, sem medo, que nunca visitei um produto turístico no Brasil tão bem estruturado e trabalhado com qualidade. Ao chegar no Parque entramos no Centro de visitantes para comprar o ticket de entrada (22 reais) e podemos iniciar o passeio. Depois você passa por um sala com fotos, vídeos e explicações sobre o parque, onde o turista é "ambientado". Depois pegamos um ônibus (estilo jardineira) e vamos por algo em torno de 10 a 15 minutos até as cataratas. Durante o trajeto do ônibus uma voz gravada fala em português, inglês e espanhol tudo que uma pessoa teria vontade de saber sobre o parque.


Chegando no centro de visitantes perto das quedas podemos começar a andar um bocado. Trata-se de uma longa e belíssima caminhada por passarelas, escadas e travessias no meio da mata, onde pode-se avistar os diferentes ângulos das centenas de quedas das cataratas. Você se mistura aos milhares de turistas que ali se aglutinam para ver, sentir, viver a sensação de estar em um dos mais belos locais do globo terrestre, um verdadeiro show da mãe natureza. Sem falar na sensação legal de caminhar lado a lado com dezenas de quatis o tempo inteiro. O ponto alto do passeio é quando (uma meia hora depois de caminhada ou mais) você chega na passarela que te leva bem lá no meio, perto da garganta do diabo. Nesse momento para aqueles que não gostam de se molhar é recomendável comprar uma das capas de chuva que ficam a venda lá dentro (5 a 7 reais) tamanha a pressão das águas. Como fui em março ainda tive tempo de pegar as quedas bem cheias, pois a partir de abril, até setembro ou outubro é a época da seca, onde o visual também é bonito, porém diferente, com um volume menor de água.


Dentro do parque ainda há diversas possibilidades de vivenciar a natureza das formas mais radicais, como por exemplo no passeio de bote perto das quedas, ou até mesmo as trilhas a pé ou de bicicleta no meio da mata fechada, passeio de helicóptero, etc. Todos são passeios que podem ser adquiridos no momento que você está no parque, sem necessidade de se fazer reserva anterior.


Anexo ao parque, mas dentro da região preservada há o belo parque das Aves (http://www.parquedasaves.com.br), que infelizmente não tive tempo de conhecer. Eu até gostaria de ir, mas como estava em um grupo grande, a maioria estava sedenta por compras na Ciudad del Este, como explicarei mais adiante.


Como o propósito da turma da qual eu fazia parte era mais investir nas compras, acabei tendo que participar da programação da maioria. Saimos do parque por volta das 13h e fomos para a Ponte da Amizade (ponte que liga ao Paraguai) para pelo menos conhecer como seria o outro dia de compras.



O Paraguai é um caso aparte, simplesmente inacreditável. Cenário ao mesmo tempo caótico, feio, sujo, lotado, propício para compras, extremamente barato, quente, etc. É difícil expressar em palavras como é a experiência de ir na Ciudad del Este pela primeira vez. Mas nesse dia foi apenas pra ter o primeiro impacto e a sensação não foi das melhores, alguns momentos a gente até pode pensar naquela frase "seria cômico, se não fosse trágico".



Nesse dia a noite voltamos para Foz e saimos para divertir, tomar uma cervejinha e comer um bom tira-gosto em um bar chamado "Capitão" (Avenida Jorge Schimmelpfeng, 288). Recomendo fortemente o ambiente. Preço muito honesto, comida e bebida de qualidade. Para se ter uma idéia comemos e bebemos bastante e a conta ficou algo em torno de 25 reais por pessoa. Lá se tem outras dezenas de possibilidades, como por exemplo a famosa churrascaria Rafain, onde pode-se jantar e acompanhar a apresentação de grupos de danças típicas e folclóricas da região e do Brasil como um todo.


No outro dia voltamos para Ciudad del Este, agora sim para fazer algumas compras, como já estava planejado. Não tenho muito o que falar do lugar, a não ser que realmente é extremamente barato para se fazer compras (como pagamos impostos caros no Brasil), mas ao mesmo tempo não aconselho muito os aventureiros de primeira viagem. Eu me senti seguro pois fui com um amigo meu que já foi lá algumas vezes e sabia orientar onde era bom, onde era ruim, etc. No meu caso comprei relativamente pouco, mas como comprei um netbook tive que declará-lo na alfândega na volta.


A Receita federal merece um parágrafo. Gostei do serviço prestado na alfândega, achei o pessoal sério, transparente. Mas se prepare para demorar na fila, e paciência é algo obrigatório nesse momento. A fila é sempre grande, principalmente a partir das 14h, 15h. É aquela velha história: "quem não deve, não teme". Mas acredito que a turma que pratica o descaminho deve sentir uma adrenalina diferente quando passa por lá. Dica importante para quem quer ir pra fazer compras é que a maioria das lojas do Paraguai fecham no máximo às 15h, tirando as grandes lojas e shoppings. Recomendo também que quem tiver que pagar imposto tenha conta no Banco do Brasil, pois o pagamento do imposto pode ser feito no ato em débito automático. Aqueles que não tem essa possibilidade tem que ir lá na cidade e pagar em um escritório autorizado. Enquanto isso a mercadoria fica retida na fronteira e dependendo do horário você só a pegará no outro dia.


Nesse dia de noite fomos para Puerto Iguazu (Argentina), cidade que fica do outro lado da Ponte da Fraternidade. Demos uma paradinha no free shop de Puerto Iguazu, que eles orgulhosamente dizem que é o maior do Mundo. O lugar é realmente muito grande, bonito e as coisas são baratas, principalmente bebida e perfume. Para se ter uma idéia uma garrafa do famoso whisky red label estava 17 dólares, o mesmo preço da vodka sueca Absolut. Os perfumes mais famosos do mundo em um preço bem acessível, na maioria das vezes 2, ou até 3 vezes mais baratos do que nas importadoras aqui. Lá na Argentina também tem cassino, é uma sensação a parte para quem não conhece. Fomos em uma feirinha de comidas típicas extremamente recomendável. Saboreamos azeitonas de todos os tipos, saltenha, tira-gostos diversos, doces e bebemos algumas garrafas da gostosa cerveja Quilmes. Vale observar que a cidade argentina é praticamente o oposto da cidade paraguaia, onde se pode avistar bonitos barzinhos, uma noite agitada e boas opções de passeio.


No outro dia cedo voltamos para o Brasil. Um outro toque importante para quem vai para fazer compras: No aeroporto, mesmo sendo vôo doméstico, também temos que passar pela alfândega. Ou seja, pra quem está fazendo coisa "errada" o friozinho na barriga acontece 2 vezes. Se você mentir na fronteira do Paraguai, você pode se dar mal no aeroporto, então cuidado.


Fica aqui também a dica de uma pessoa muito bacana que nos guiou pelos quatro cantos por lá, ou melhor, pelas 3 fronteiras. Se chama Elaine Rocha (elaine_eduardorocha@hotmail.com). Pessoa séria, competente, boa motorista. Nos levou com bastante segurança por todos esses lugares e o custo benefício valeu a pena, se fosse comparar por exemplo com um taxi para todos esses lugares.


Lá fiquei hospedado no Hotel Três fronteiras (http://www.hotel3fronteirasfoz.com.br/). Não tem nada demais, mas é um hotel bacana, limpo, com bom café da manhã, relativamente bem localizado e o preço é razoável (diária em torno de 100 reais o quarto de casal). Recomendo.


Com certeza terei que voltar, pois não conheci a represa de Itaipú (maior hidrelétrica em geração de energia por ano no mundo), o parque das Aves, os marcos das três fronteiras, as cataratas do lado argentino e as diversas formas de diversão no próprio parque.


Valeu demais a experiência.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Carnaval: contraponto a opinião da jornalista paraibana

Gostaria de humildemente e respeitosamente deixar minha contribuição no debate iniciado pela jornalista paraibana Rachel Sheherazade, onde a mesma coloca seu ponto de vista sobre o carnaval em um editorial de um jornal local na Paraíba.

Esse é o vídeo que inspirou a minha resposta:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=xY2BSJ6Xttg

Vou começar tentando fazer o contraponto aos principais pontos que a jornalista levanta em seu discurso, e levando minha contribuição com opiniões pessoais embasadas em estudos e experiências que me ajudaram a formar tal ponto de vista.

Primeiramente ela começa falando que o carnaval não é uma festa de origem brasileira, o que de fato é verdade. Mas ela fala isso como se esse fato fosse diminuir a manifestação, que do ponto de vista lúdico e cultural, pode sim ser considerada, no formato atual, uma festa brasileira. E qual seria o problema com isso? O macarrão não é uma invenção italiana; o futebol não é um esporte criado no Brasil; Lula não foi um Presidente letrado. Tal afirmação é apenas o início da demonstração de como o discurso da jornalista segue numa linha de tendencionismo e preconceito com tal manifestação, pois demonstra uma visão estereotipada e reduzida do fenômeno em questão.

O carnaval é um feriado eclesiástico, pois tem como base o feriado da semana santa. A terça-feira de carnaval é sempre 47 dias antes da sexta-feira da paixão, outro feriado eclesiástico que faz parte do calendário litúrgico ao redor do planeta nas sociedades cristãs. A origem do carnaval, segundo pesquisadores, data do século VII, quando definiu-se que num determinado período do ano as pessoas deveriam cumprir a chamada “quaresma”, que seria um momento de reflexão sobre a espiritualidade, onde deveria-se evitar festas, consumo de carne vermelha, sexo, etc. E o primeiro dia dessa quaresma seria a quarta-feira de cinzas. O que acontece é que as pessoas sabendo que iriam ter que cumprir tal sacrifício durante 40 dias, os dias que antecediam a quarta de cinzas eram marcados por grandes momentos de festa.

Num segundo momento ela afirma que o carnaval não é uma festa popular, usando o termo “balela” para os inocentes que utilizam de tal argumento. Ela diz que não é uma boa oportunidade para pequenos empresários, generaliza de forma grotesca, demonstrando grande desconhecimento sobre o que de fato acontece ao redor do país, generalizou, e quem generaliza corre grande risco de falar bobagem. Eu poderia citar aqui umas 100 (isso mesmo, cem) cidades pelo menos no Brasil que são adeptas de práticas populares no seu carnaval. Mas para evitar o desgaste meu e do leitor, gostaria de citar minha cidade natal, Belo Horizonte/MG e mais outro exemplo no interior do meu estado. Belo Horizonte já teve sim tradição em carnaval, tal como acontece (guardadas as devidas proporções) no Rio de Janeiro. Já foi, outrora, considerado o segundo melhor carnaval do país. Hoje a cidade tenta de forma tímida com grandes dificuldades manter a tradição de carnaval com seu desfile de escolas e blocos caricatos. O carnaval está fraco, sim está. Mas ele é um carnaval 100% gratuito, onde as pessoas que quiserem podem ir acompanhar o desfile das escolas e se divertir um bocado. Nesses dias o transporte público tem uma promoção, onde o usuário paga somente uma passagem com seu cartão de transporte público local, para transitar a vontade pela cidade, ou seja, é possível um cidadão sair de sua casa gastando algo em torno de 3 reais e curtir um carnaval. Nas prévias também encontram-se eventos de qualidade espalhados pela cidade, eventos de um bom nível, sem violência e muita diversão. Não gosta de desfile de escolas? Então vamos a outra modalidade. Gostaria de citar um carnaval muito popular na cidade de Diamantina, 270km de BH. O carnaval de Diamantina (como acontece com diversas outras cidades pelo país) é carnaval de rua, onde participa quem quer, e também paga quem quer. Há pessoas que pagam uma grana para ficar dentro de uma corda, para curtir a mesma música e ficar a menos de 1 metro de distância de outra pessoa que nada pagou. Então por que a afirmação que é festa pra rico? No próprio Rio de Janeiro onde temos o carnaval mais famoso do país, se vê blocos de rua, onde curte quem quer. E pra não deixar de citar Salvador, onde tem também blocos gratuitos, abertos ao público, com as mesmas bandas caras que ela cita mais ao final de seu comentário. Sobre o que ela fala dos pequenos comerciantes: Ninguém nunca afirmou que os pequenos comerciantes dependem do carnaval para viver, como ela fala em seu discurso. Mas eu deixo o seguinte questionamento: Se ela fala que não é bom, por que entra ano, sai ano, e lá estão os mesmos senhores e senhoras tentando dignamente fazer o seu “ganha pão” durante o carnaval? Pergunta para um pequeno empresário dono de um restaurante pequeno ou para um agente de viagens, ou quem sabe um dono de um barzinho na esquina se ele acha o carnaval ruim. Pergunta para o catador de latinhas se ele acha o carnaval ruim. Pergunte para o promotor de eventos, mesmo que autônomo, se ele acha o carnaval ruim. Pergunte para o proprietário dessa rede de televisão que a jornalista trabalha se o carnaval é ruim.

Depois generaliza novamente falando que o carnaval virou negócio, e dos ricos. Não sei se a Srta. tem filhos, ou se tem pais, ou marido. Mas todos os feriados e dias comemorativos são negócio. Essa é a lógica do mundo capitalista, se está insatisfeita, mude para Cuba, onde ainda existe um resquício do regime socialista-comunista. No dia dos namorados você não compra nada para seu acompanhante não? E no dia das crianças, será que não compra uma lembrancinha para as crianças da família? E no natal? Poupe-nos de tamanha hipocrisia.

Logo adiante ela demonstra preconceito com gosto musical. Afirma que no carnaval a suposta boa música é calada a força por hits do momento. Ponto de vista totalmente preconceituoso e sem embasamento. O que seria boa música? Isso é um conceito subjetivo. Quem somos nós para julgar se o que muita gente está gostando é música ruim? Só pela letra? Vivemos hoje um momento em que há muito preconceito musical. Se a música é boa ou ruim, só nós podemos saber nos tomando como referência, e não para uma opinião abrangente, levando isso para uma dimensão maior, como uma verdade absoluta. Todas as manifestações devem ser respeitadas. Não gosta? Não ouça, saia de perto, desligue o som, ligue sua música, se vire.

Ela retrata indignação com a quantidade de ambulâncias e polícia no evento. O que você sugere Srta? Que esses serviços públicos não estejam disponíveis numa festa que move multidões? Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Tem que ter para as festas e tem que ter para o dia a dia normal, fora das festas. O errado seria ter somente no dia a dia e não ter nos eventos, como parece sugerir a jornalista paraibana. Isso me lembra uma conversa que tive com um colega outro dia que disse que é um absurdo ter copa do mundo em um país como o Brasil, com tantos problemas sociais. Argumentei: O que tem a ver uma coisa com a outra? Tal evento, quem sabe, será uma grande oportunidade para, inclusive, ajudar o país a desenvolver em alguns pontos, para, quem sabe, ajudar a diminuir algumas das disparidades sociais que temos. Por que não? Se isso vai acontecer é outra história, mas caberia ao poder público trabalhar para isso. Grande parte do investimento nesses eventos como copa do mundo, olimpíada, e até no carnaval, virá da iniciativa privada, é bom dizer, só para lembrar.

Demonstra preconceito mais uma vez quando fala que carnaval é festa pra bêbado. Será que ela já fez uma pesquisa quantitativa para ter base empírica para tal afirmação leviana e sem embasamento algum? Pois eu mesmo sou testemunha e conheço muitas pessoas que curtem carnaval, vão pra rua, desfilam, saem em blocos e não ingerem uma gota de álcool sequer.

Diz que carnaval é bom para dono de trio elétrico, cervejaria e algumas bandas baianas. Quanto preconceito e reducionismo numa frase só. Mas ela se esqueceu de dizer que é bom também para a mídia, ramo do qual ela faz parte, isso para não citar outras dezenas de empresas que se beneficiam direta e indiretamente do carnaval.

Ela toca em um ponto importante ligado aos acidentes. Mas pergunto: Os acidentes são em decorrência do sexo, da bebida e da festa da carne? Acredito que uma ínfima parte sim. A outra parte está ligada a imprudência. Mas não é só no carnaval que acontece isso. Na semana santa também, no reveillon, no natal e outros feriados também. Imagina quantas pessoas se acidentam indo rezar em Aparecida do Norte no feriado do dia 12 de outubro? Imagina quantos acidentes acontecem durante o São João no Estado da jornalista quando pessoas saem de diversas cidades para ir para Campina Grande, no interior da Paraíba? Faça uma pesquisa com os comerciantes de Campina Grande se eles gostam ou não do período do São João, que dura perto de 1 mês. Ela fala das possíveis meninas que ficam grávidas durante o carnaval, e o governo gastaria milhões com curetagem dessas moças que teriam praticado tal ato de forma impensada. Vamos falar sério não é? Agora a culpa é do carnaval? Não é dos pais não? A menina engravida e a culpa é da festa. Isso me lembra o camarada que passa mal porque tomou uma caixa de cerveja, e um pastel, e coloca a culpa no pastel... dureza. Mesma coisa vale para o argumento sobre as possíveis DST’s.

Não conheço a Jornalista, nem sei de que emissora ela é. Mas gostaria apenas de fazer um contraponto a seus pontos de vista, pois acredito que ela tenha feito uso de um discurso frágil sem embasamento, porém com palavras fortes e que vai ao encontro de muita gente que usa de falso moralismo para defender tal ponto de vista. Sou adepto da alegria e não recrimino nenhum tipo de manifestação que faça o ser humano ser feliz, mesmo que seja durante apenas 4 dias em um ano.

Não gosta do carnaval? Simples, não participe, mas não queira melar a festa das pessoas que gostam e que usam dessa época do ano como oportunidade para extravasar um pouco de suas emoções, sejam elas boas ou ruins. Não cabe a ninguém julgar, muito menos pessoas que não conhecem nada de tal assunto.