Tive uma bela experiência turística no final do mês passado, quando viajei a passeio para a cidade de Foz do Iguaçu/PR.
Fui, junto de mais 9 pessoas, para a região que é privilegiada pela natureza e conta também com belas obras que mostram a capacidade do ser humano de usar os recursos naturais em seu proveito.
Foz do Iguaçu está no extremo oeste do estado do Paraná e faz fronteira com outras duas cidades que já estão em outros países que compõe a tríplice fronteira: Puerto Iguazu (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai). A cidade é relativamente grande (256.000 habitantes - censo 2010) e organizada com vias largas, belas praças, um povo hospitaleiro e obviamente uma natureza exuberante, de uma beleza raríssima no planeta.
Abaixo serão apresentados uma série de fatores que, em conjunto, levam a cidade a ser o segundo destino mais visitado por visitantes estrangeiros no Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro. Considero que, infelizmente, não tive o devido tempo para conhecer todas as atrações que a cidade oferece, mas por um lado tenho bons motivos para voltar a região, que facilmente precisa de pelo menos uns 4 ou 5 dias para ser conhecida com qualidade por um visitante mais exigente.
Na sexta-feira cedo (dia 25 de março) saimos do hotel e fomos para o Parque Nacional do Iguaçu. Posso afirmar, sem medo, que nunca visitei um produto turístico no Brasil tão bem estruturado e trabalhado com qualidade. Ao chegar no Parque entramos no Centro de visitantes para comprar o ticket de entrada (22 reais) e podemos iniciar o passeio. Depois você passa por um sala com fotos, vídeos e explicações sobre o parque, onde o turista é "ambientado". Depois pegamos um ônibus (estilo jardineira) e vamos por algo em torno de 10 a 15 minutos até as cataratas. Durante o trajeto do ônibus uma voz gravada fala em português, inglês e espanhol tudo que uma pessoa teria vontade de saber sobre o parque.
Chegando no centro de visitantes perto das quedas podemos começar a andar um bocado. Trata-se de uma longa e belíssima caminhada por passarelas, escadas e travessias no meio da mata, onde pode-se avistar os diferentes ângulos das centenas de quedas das cataratas. Você se mistura aos milhares de turistas que ali se aglutinam para ver, sentir, viver a sensação de estar em um dos mais belos locais do globo terrestre, um verdadeiro show da mãe natureza. Sem falar na sensação legal de caminhar lado a lado com dezenas de quatis o tempo inteiro. O ponto alto do passeio é quando (uma meia hora depois de caminhada ou mais) você chega na passarela que te leva bem lá no meio, perto da garganta do diabo. Nesse momento para aqueles que não gostam de se molhar é recomendável comprar uma das capas de chuva que ficam a venda lá dentro (5 a 7 reais) tamanha a pressão das águas. Como fui em março ainda tive tempo de pegar as quedas bem cheias, pois a partir de abril, até setembro ou outubro é a época da seca, onde o visual também é bonito, porém diferente, com um volume menor de água.
Dentro do parque ainda há diversas possibilidades de vivenciar a natureza das formas mais radicais, como por exemplo no passeio de bote perto das quedas, ou até mesmo as trilhas a pé ou de bicicleta no meio da mata fechada, passeio de helicóptero, etc. Todos são passeios que podem ser adquiridos no momento que você está no parque, sem necessidade de se fazer reserva anterior.
Anexo ao parque, mas dentro da região preservada há o belo parque das Aves (http://www.parquedasaves.com.br), que infelizmente não tive tempo de conhecer. Eu até gostaria de ir, mas como estava em um grupo grande, a maioria estava sedenta por compras na Ciudad del Este, como explicarei mais adiante.
Como o propósito da turma da qual eu fazia parte era mais investir nas compras, acabei tendo que participar da programação da maioria. Saimos do parque por volta das 13h e fomos para a Ponte da Amizade (ponte que liga ao Paraguai) para pelo menos conhecer como seria o outro dia de compras.
O Paraguai é um caso aparte, simplesmente inacreditável. Cenário ao mesmo tempo caótico, feio, sujo, lotado, propício para compras, extremamente barato, quente, etc. É difícil expressar em palavras como é a experiência de ir na Ciudad del Este pela primeira vez. Mas nesse dia foi apenas pra ter o primeiro impacto e a sensação não foi das melhores, alguns momentos a gente até pode pensar naquela frase "seria cômico, se não fosse trágico".Nesse dia a noite voltamos para Foz e saimos para divertir, tomar uma cervejinha e comer um bom tira-gosto em um bar chamado "Capitão" (Avenida Jorge Schimmelpfeng, 288). Recomendo fortemente o ambiente. Preço muito honesto, comida e bebida de qualidade. Para se ter uma idéia comemos e bebemos bastante e a conta ficou algo em torno de 25 reais por pessoa. Lá se tem outras dezenas de possibilidades, como por exemplo a famosa churrascaria Rafain, onde pode-se jantar e acompanhar a apresentação de grupos de danças típicas e folclóricas da região e do Brasil como um todo.
No outro dia voltamos para Ciudad del Este, agora sim para fazer algumas compras, como já estava planejado. Não tenho muito o que falar do lugar, a não ser que realmente é extremamente barato para se fazer compras (como pagamos impostos caros no Brasil), mas ao mesmo tempo não aconselho muito os aventureiros de primeira viagem. Eu me senti seguro pois fui com um amigo meu que já foi lá algumas vezes e sabia orientar onde era bom, onde era ruim, etc. No meu caso comprei relativamente pouco, mas como comprei um netbook tive que declará-lo na alfândega na volta.
A Receita federal merece um parágrafo. Gostei do serviço prestado na alfândega, achei o pessoal sério, transparente. Mas se prepare para demorar na fila, e paciência é algo obrigatório nesse momento. A fila é sempre grande, principalmente a partir das 14h, 15h. É aquela velha história: "quem não deve, não teme". Mas acredito que a turma que pratica o descaminho deve sentir uma adrenalina diferente quando passa por lá. Dica importante para quem quer ir pra fazer compras é que a maioria das lojas do Paraguai fecham no máximo às 15h, tirando as grandes lojas e shoppings. Recomendo também que quem tiver que pagar imposto tenha conta no Banco do Brasil, pois o pagamento do imposto pode ser feito no ato em débito automático. Aqueles que não tem essa possibilidade tem que ir lá na cidade e pagar em um escritório autorizado. Enquanto isso a mercadoria fica retida na fronteira e dependendo do horário você só a pegará no outro dia.
Nesse dia de noite fomos para Puerto Iguazu (Argentina), cidade que fica do outro lado da Ponte da Fraternidade. Demos uma paradinha no free shop de Puerto Iguazu, que eles orgulhosamente dizem que é o maior do Mundo. O lugar é realmente muito grande, bonito e as coisas são baratas, principalmente bebida e perfume. Para se ter uma idéia uma garrafa do famoso whisky red label estava 17 dólares, o mesmo preço da vodka sueca Absolut. Os perfumes mais famosos do mundo em um preço bem acessível, na maioria das vezes 2, ou até 3 vezes mais baratos do que nas importadoras aqui. Lá na Argentina também tem cassino, é uma sensação a parte para quem não conhece. Fomos em uma feirinha de comidas típicas extremamente recomendável. Saboreamos azeitonas de todos os tipos, saltenha, tira-gostos diversos, doces e bebemos algumas garrafas da gostosa cerveja Quilmes. Vale observar que a cidade argentina é praticamente o oposto da cidade paraguaia, onde se pode avistar bonitos barzinhos, uma noite agitada e boas opções de passeio.
No outro dia cedo voltamos para o Brasil. Um outro toque importante para quem vai para fazer compras: No aeroporto, mesmo sendo vôo doméstico, também temos que passar pela alfândega. Ou seja, pra quem está fazendo coisa "errada" o friozinho na barriga acontece 2 vezes. Se você mentir na fronteira do Paraguai, você pode se dar mal no aeroporto, então cuidado.
Fica aqui também a dica de uma pessoa muito bacana que nos guiou pelos quatro cantos por lá, ou melhor, pelas 3 fronteiras. Se chama Elaine Rocha (elaine_eduardorocha@hotmail.com). Pessoa séria, competente, boa motorista. Nos levou com bastante segurança por todos esses lugares e o custo benefício valeu a pena, se fosse comparar por exemplo com um taxi para todos esses lugares.
Lá fiquei hospedado no Hotel Três fronteiras (http://www.hotel3fronteirasfoz.com.br/). Não tem nada demais, mas é um hotel bacana, limpo, com bom café da manhã, relativamente bem localizado e o preço é razoável (diária em torno de 100 reais o quarto de casal). Recomendo.
Com certeza terei que voltar, pois não conheci a represa de Itaipú (maior hidrelétrica em geração de energia por ano no mundo), o parque das Aves, os marcos das três fronteiras, as cataratas do lado argentino e as diversas formas de diversão no próprio parque.
Valeu demais a experiência.



3 comentários:
Prezado Professor Bruno, gostei muito das informações aqui relatadas a respeito de Foz do Iguaçu. Curti bastante os trechos, até porque sou bastante conhecedor do destino turístico Foz do Iguaçu, no qual tinha uma representação de uma operadora "Eco Iguaçu". Digo até que o destino tem atrações e produtos formatados para até 15 dias sem repetir nenhum passeio. É ainda uma mistura cultural muito grande tendo a maior comunidade mulçumana no Brasil. Não sei se chegou a reparar nas mesquitas que lá existem.
Sugiro um outro destino ainda mais exótico, com uma outra proposta, é claro, seria Ceará, mais precisamente na região Oeste do Ceará, onde tem diversas praias praticamente intocáveis como Lagoinha, Flecheiras e Mundaú, chegando até Jijoca de Jericoacoara, destinos lindos por si só, sem falar na receptividade e calor humano da população local. Fica aí uma boa dica para quem quer uma boa dica para a sua próxima viagem.
Leonardo Marinho
Prof. Bruno, parabéns pelo belo texto que nos faz viajar com vocês! Abraços.
Mônica Pires
www.umapedraeumlugar.blogspot.com
Oi Bruno,
Estou em sala de aula aplicando prova e viajando com vc pelo Paraguai!
Adorei o relato, tenho muita vontade de conhecer as cataratas, acho ate absurdo estar tão perto e nunca ter ido lá.
Gostei demais das dicas dos parques e das compras. Preciosa a
informação da moca que acompanhou vcs por lá.
Quem sabe a gente vai ate lá juntos, seria muito especial viajar com vcs!
Um beijo,
Mercia
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