sábado, 13 de setembro de 2008

Colação de Grau: Ato solene?

Nos últimos 5 anos devo ter ido a pelo menos umas 40 colações de grau de curso superior. O que vou relatar e expor a seguir trata-se de uma realidade observada na minha cidade, Belo Horizonte, mas acredito que tal situação deve estar ocorrendo por todo Brasil.


Ao passar dos anos as cerimônias de colação de grau que eram pra ser atos solenes e sérios estão se tornando verdadeiras zonas institucionais. Algumas instituições de ensino superior conseguem fazer tal cerimônia de forma mais organizada, geralmente aquelas que tomam frente na realização das mesmas. Algumas Universidades e Faculdades não se envolvem na organização, não tem um protocolo para a cerimônia, deixando isso a cargo da comissão de formatura.




Vou dizer algo aqui, que pode soar meio mentiroso, mas é verdade. Sempre gostei de ir a esses eventos, pois ali sempre foi um momento de presenciar a felicidade humana por meio da realização de sonhos, e também uma boa oportunidade de assistir belos discursos de professores, oradores, reitores e etc. No entanto, o "show de horror" que alguns familiares e amigos dos formandos, e algumas vezes até os próprios formandos tem proporcionado ultimamente é algo que realmente tem me tirado do sério, e me causado dores de cabeça.




Existe uma frase que fala: O respeito de um vai até onde começa o do outro. Ninguém tem direito de invadir o momento do outro. Quantas vezes não vemos em colações determinados convidados de alguns formandos se exaltarem e ficarem gritando o nome ou o apelido da pessoa, inclusive em momentos que isso não é para acontecer?


Fui a uma colação de grau esse ano (não vou citar o curso para não chatear a pessoa caso ela leia aqui) da Pontifícia Universidade Católica que mais parecia uma disputa sobre quem gritava mais e fazia mais barulho. Chegou-se ao absurdo de até mesmo na hora que os paraninfos e o reitor proferiam suas palavras para seus apadrinhados, os gritos de nomes fossem constantes, quando não apitos, e buzinas a gás (gostaria de saber quem foi o safado que criou aquilo) o tempo todo. Total falta de respeito a esse ato que era pra ser solene. Muitas das colações em Belo Horizonte são realizadas no maior salão do Minascentro com capacidade para pouco mais do que 1.700 pessoas. É uma loucura você imaginar que grande parte dessas pessoas ficam disputando quem faz mais barulho, e sem contar com as faixas que levantam de 5 em 5 minutos tampando a visão de quem está sentado atrás.
Será que parcela dessa culpa também não é dos próprios formandos? Muitos deles em plena colação de grau tem atitudes infantis, como por exemplo tirar a beca, com alguma camisa de futebol por baixo para inflamar a platéia, outros abrem bandeiras com dizeres até ofensivos as vezes, mas a final de contas, esse é o momento deles, e eles devem fazer o que bem entender, pelo menos em teoria. Provavelmente se arrependerão no futuro, quando verem o papel ridículo que fizeram naquele dia que era pra ser um dos mais importantes de sua vida.
Bom, o que quero dizer é o seguinte: Colações de grau foram eventos que foram criados para serem atos solenes, como um rito de passagem onde o formando despede da vida acadêmica e terá que adentrar a dura realidade do mercado de trabalho. Não são ambientes onde predomina a espetacularização da palhaçada como algumas dessas cerimônias tem sido.

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