quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Política: Um ponto de vista.

Inspirado pelo momento que vivemos de eleições municipais, resolvi expor um ponto de vista sobre o que acredito ser política.



Hoje em dia é normal nas rodas de bate-papo você ver pessoas que declaram em alto e bom tom que detestam política. É cada vez mais incomum você ver nas reuniões de amigos e de família pessoas discutindo política, e quando alguém traz o assunto, as vezes é taxado de "chato".



O que muita gente não sabe é que na verdade o que elas não gostam, não é de política. O que causa desconforto nas pessoas é a corrupção, a política suja, alguns personagens políticos, ou seja não gosta mesmo é das disfunções da política.



o termo política é derivado do grego antigo "politeía", que indicava todos os procedimentos relativos à "pólis", que significava cidade-estado, ou sociedade, comunidade. Os homens se reuniam na "ágora", espécie de praça onde era construído o processo de tomada de decisão sobre os rumos e os caminhos que melhor agradava a coletividade, diante dos instrumentos democráticos da época.


Não distante disso, mas em contextos diferentes, hoje em dia fazemos política em diferentes escalas, seja macro ou micro. Podemos citar por exemplo quando um grupo de amigos senta numa mesa de bar e passa a discutir para onde vão nas próximas férias. Vencerá aquela proposta que mais agradar a todos, ou pelo menos a maioria. Isso não deixa de ser um procedimento político.

Sempre achei que a vida em sociedade é demasiada complexa e conflitante, e quando se faz opção por um melhor caminho para mediar essas situações, exerce-se um ato político. Ou seja, pelo menos em teoria, trata-se resolução de problemas por meio de instrumentos democráticos.


Para relembrar, como Aristóteles dizia: "O homem é um animal político". Não há como ser desligado totalmente dessa realidade, a partir do momento em que somos seres sociais e culturais, e interagimos uns com os outros. No entanto, embora sejamos seres que participam desse meio que nos altera e nos constrói, é importante dizer que apesar das influências do meio externo, todo ser tem sua individualidade e deve sempre responder pelos seus atos, como pensava Russeau.


É com tristeza que hoje acompanho o descaso que grande parte da sociedade, sobretudo os mais jovens, tratam a política. Me lembro quando fiz 16 anos, e fui no outro dia correndo ao Tribunal Regional Eleitoral de minha cidade para fazer o meu título de eleitor. A partir daquele dia eu podia exercer o grande ato de cidadania, que era escolher as pessoas que iam tomar as decisões por mim, sobre os rumos de minha cidade, estado e país.





O que mais me incomoda é que estamos perdendo a capacidade de nos indignar. Está insatisfeito com a situação? Faça algo para mudar. Se candidate! Ou pelo menos se esforce para tirar de lá quem você acha que não é merecedor, e coloque lá pessoas que você confia. Acompanhe os mandatos dos políticos que você elegeu. Quantos será que fazem isso? Ficar parado, apenas criticando, mas também não apontando aonde estão os problemas e não fazendo nada para mudar a realidade não vai ajudar. As coisas vão continuar como estão, senão piorar.


Quando eu vejo o quanto que a política pode ser usada para o bem, fico me perguntando: Será que, apenas como exemplo, os mais de 500 deputados federais que estão lá no Congresso Federal tem consciência de suas obrigações? Será que parte deles sabem que se praticarem atos ilícitos, podem na verdade estar tirando a merenda escolar que é a única alimentação digna que algumas crianças podem ter no interior do Brasil?

Não sou do tipo que acha que "todo político é corrupto". Acho sim que temos boas pessoas, com boas intenções e fazendo trabalhos importantes em cargos eletivos espalhados pelo país, mas o problema é que um quantitativo expressivo de cidadãos podres estão cometendo um grande desserviço para a nossa sociedade, fazendo a política cair em descrédito ainda maior a cada dia.


Tento aqui, de forma pequena, talvez até inútil, convocar você que está lendo esse texto a fazer a sua parte. Vamos mostrar para as pessoas que a construção coletiva de um pensamento em busca de melhores dias deve ser cada vez mais encorajada. Há aqueles que acham que não há saída, e que dias melhores não virão. MENTIRA! Coisas boas já tem acontecido. Ser corrupto no Brasil já foi muito mais fácil, hoje em dia já vemos casos em que gente de peso tem tido problema com a justiça. É necessário fazer um esforço para devolver a dignidade para os processos políticos.


Se você fizer a sua parte e nada acontecer, não há problema. Pelo menos você poderá ter a tranquilidade de colocar a cabeça no travesseiro com a certeza de que tentou.


Ser ético, coerente ou honesto não é uma qualidade. É sim uma obrigação!
Saudações!

2 comentários:

Anônimo disse...

Bruno,

É verdade. Como eu disse outro dia para um desses ignaros que circulam por aí: Quem não gosta de política é governado por quem gosta! Ou como bem dizia Martin Luther King: Nosso tempo será marcado não pela ação dos maus, mas pela omissão dos bons.

É isso aí....

Sheila disse...

Falar sobre política pra mim é algo demasiadamente prazeroso. Encontrei nesse artigo uma idéia por mim compartilhada e aproveito a oportunidade para dividir meus pensamentos. Infelizmente, a população brasileira, guiada pelo senso comum, tem um certo repúdio à política. A primeira coisa que vem à mente quando o termo é citado é corrupção e a prática dela por nossos representantes na administração da máquina estatal. São duas palavras que estão intimamente ligadas no vocabulário popular. Acontece que, como bem argumentou nosso caro amigo Bruno, a política nasceu junto das cidades, as polis, e paralelamente a esse crescente convívio em sociedade, surgiu a necessidade de organização e administração de conflitos, sem, contudo, utilizar a violência. Logo, poderíamos dizer que política é a ferramenta pacífica utilizada para administração de divergências em um meio social. Diante disso, é lamentável nos depararmos com comentários do tipo “não discuto política”, ou “não faço política”. Mal sabem as pessoas que o não querer se envolver em política, também é uma forma de fazê-la, e essa atitude definida como “apatia política”, traz conseqüências tão ou mais graves para o corpo social, pois nossas atitudes, ou a falta delas, refletem em todos os “membros” desse corpo.
Estamos vivendo nesse país um momento social e político extremamente delicado, pois muitos políticos (termo aqui utilizado para definir o administrador, que foi escolhido pela maioria, em um processo democrático), se utilizam de seus cargos para desviar verba pública ou para obter benefício próprio. E a população, carente de muitas coisas, principalmente de educação e boa vontade, se faz de vítima. É fácil “terceirizar” a responsabilidade de nossos atos, dizer que o governador fulano de tal não presta, ou o vereador beltrano não vale nada. Difícil é admitir que eles só estão lá, graças ao voto da maioria que compactuou com seu projeto. Ora, vivemos em uma democracia, temos liberdade para escolher como REPRESENTANTES quem bem entendermos. E na qualidade de representantes, são funcionários que devem ser fiscalizados por quem os elegeram. É importante ressaltar que corrupção não é atitude restrita dos políticos responsáveis pela administração do Estado, Município ou País. Como bem define alguns dicionários, corrupção é “ação ou efeito de corromper, de fazer degenerar; depravação; ação de seduzir por dinheiro, presentes etc., levando alguém a afastar-se da retidão; suborno”. A sociedade brasileira ao assumir o famoso “jeitinho brasileiro” compactua com essa corrupção. Só conseguiremos exigir que o outro faça sua parte a partir do momento em que fizermos a nossa. Para resolver esse problema tão grave, precisamos desenvolver a idéia de que política é uma característica inata aos seres racionais que vivem em sociedade, e que o processo político utilizado na administração estatal é de responsabilidade dos eleitos e principalmente dos eleitores. E a situação atual nos está demonstrando que já passou da hora de mudarmos de atitude.
No mais, é isso, as mudanças externas só podem acontecer se permitimos uma transformação interna. Para mudarmos nosso país e nosso mundo, precisamos começar a mudar nós mesmos, nossos hábitos carregados de senso comum e nossas atitudes. O resto virá como conseqüência.