Caros Colegas,
Hoje resolvi escrever sobre um assunto que me tirou do sério na última semana.
No dia 20 de abril de 2011, ao final da manhã a ponte sobre o Rio das Velhas (177 metros de extensão) localizada na BR-381, kilômetro 455, cedeu causando grande transtorno para uma quantidade enorme de pessoas. Ela foi totalmente interditada nos dois sentidos BH - Vitória - BH.
Para o leitor que não é de Minas Gerais é bom dar uma pequena noção do tamanho do problema que estamos tendo por aqui. Essa estrada é a que liga a capital mineira (fica algo em torno de 5 km do final do anel rodoviário, bem perto da cidade) e liga BH a importantes cidades do interior como Santa Luzia, Caeté, Itabira, Manhuaçu e outras mais até a cidade de Vitória, capital Capixaba e suas centenas de praias.
O incidente ocorreu na véspera do último grande feriado do ano, só quem passou por Santa Luzia e Sabará nesse dia consegue descrever o tamanho do transtorno que foi. Pessoas que gastariam 6 a 8 horas para chegar às praias do litoral, acabaram gastando algo entre 12 e 16 horas, experiência que não desejo nem para meu pior inimigo. Eu pessoalmente não fui para lá, mas tive relatos de vários conhecidos. No entanto presenciei de perto o problema pois sou morador de Santa Luzia, cidade que está sendo utilizada como o principal desvio para carros, carretas, ônibus e tudo mais que usa a rota. Sabará também é outra cidade que está sofrendo com o problema. Veja essa matéria (http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2011/04/28/interna_gerais,224120/ponte-interditada-leva-caos-a-santa-luzia.shtml)
O amigo leitor pode estar se perguntando porque falei de "seis meses em seis dias". A promessa que o Governo Federal está fazendo para arrumar a ponte é de 6 meses, sendo que antes tentarão fazer uma ponte metálica sobre o rio para liberar o trânsito. O exército que ficaria a cargo de fazer essa ponte já fala em algo em torno de 1 a 2 meses para sua execução, até lá o sofrimento dos envolvidos continuará a ser grande.
Gostaria de fazer agora uma comparação com a catástrofe do terremoto/tsunami do Japão que aconteceu mês passado. Não é necessário colocar aqui as proporções da tragédia, mas gostaria de me ater a um pequeno fato que nos chama atenção.
Uma rodovia na região de Naka no país afetado pela tragédia teve um trecho de 150 metros de sua estrada totalmente destruído, naturalmente devido a força do terremoto. Veja a figura ao lado.
Acontece que esse trecho de 150 metros foi corrigido em apenas 6 dias. Isso mesmo, não escrevi errado, em APENAS 6 DIAS. Que o povo japonês é um povo aguerrido que já deu a volta por cima várias vezes em sua história, isso não é nenhuma novidade. E que eles também são muito competentes, possuidores de uma tecnologia de ponta no planeta, também é fato conhecido de todos.
Mas o que acontece com uma diferença tão grande assim? Porque uma ponte que cedeu alguns centímetros aqui no Brasil há uma hipótese (veja bem, é apenas uma HIPÓTESE) de que será reconstruída em 6 meses, enquanto um trecho de 150 metros totalmente arrasado é reconstruído perfeitamente em apenas 6 dias. Está duvidando? Veja a foto ao lado com o trecho já totalmente reconstituído, apenas 6 dias depois (NÁO ME CANSO DE FALAR).Vamos tentar entender? Será que os japoneses são mais inteligentes que nós? Acredito que não... Tem mais força de vontade? Talvez sim... Mas acredito que não seja aí que o problema reside. Tudo indica que seja um problema de falta de vontade política. Por que tudo no Brasil é mais difícil? Por que aqui as disfunções da burocracia nos prejudicam tanto? Gostaria de saber o porquê de termos tanta dificuldade para lidar com um problema tão sério como esse que está prejudicando milhões de pessoas que dependem da maldita ponte que rebaixou alguns centímetros.
Agora o mais trágico: Essa ponte tem um longo histórico de "remendos" e soluções paliativas. Veja só o que extraí de uma matéria veiculada no jornal Estado de Minas no dia 27 de abril de 2011.Segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre) a ponte tinha uma previsão para receber mais ou menos 500 veículos por dia, e hoje em dia o fluxo é de mais ou menos 50 mil. Todo esse fluxo hoje passa por dentro da cidade Santa Luzia e alguns em Sabará. Sabe-se que a ponte tem mais de 5 décadas, e "faltando dois anos para completar o trigésimo aniversário, em 1985, a ponte apresentou o primeiro problema mais sério. Por causa do desassoreamento do Rio das Velhas, a água baixou cerca de seis metros e, por isso, foi preciso reforçar a fundação, evitando que a estrutura sofresse com trepidações. Passados 10 anos, novo comprometimento obrigou a contratação de empresa para instalar cabos sob a estrutura, para garantir estabilidade. Depois de mais quatro anos, em 1999, a exposição de ferragens mostrava mais uma vez a condição precária da ponte. De lá para cá, segundo o Dnit, eram feitas vistorias periódicas para avaliar, entre outros itens, a condição da estrutura. A última inspeção foi feita em fevereiro e a empresa deu aval para que o tráfego fosse mantido, apesar de prever a necessidade de intervenções na obra de arte durante o processo de duplicação da rodovia, previsto para começar naquele trecho ainda este ano. “Não detectaram nada grave. Nenhum problema aparente”, diz o superintendente do Dnit em Minas, Sebastião Donizete. Dois meses depois da vistoria, na quarta-feira passada, a ponte cedeu. (PRF)."
Há relatos de que muitos moradores da região vinham alertando as autoridades sobre as condições da ponte.
Pelo que parece o famigerado e altamente negativo "jeitinho brasileiro" andou atuando na manutenção da ponte em questão. Foram empurrando com a barriga o problema até acontecer isso, e nesse artigo nem vou entrar na questão da precariedade que se encontra a BR-381, mais conhecida como Rodovia da Morte.
Caros amigos,
Quantas "pontes do rio das velhas" temos pelo Brasil afora? O que precisa ser feito para que nossos impostos e tributos sejam aplicados verdadeiramente em benefício para as populações?
Me desculpem pela indignação, mas os governantes tem que saber o tamanho da seriedade do problema. Aí eu pego o jornal e fico sabendo que está para ser aprovado a construção de um trem bala que ligará RJ-SP, com orçamento de dezenas de bilhões de dólares. E sabemos que passa e muito disso, esse é o problema. Peguem essa grana e arrumem as estradas brasileiras, ou que peguem essa grana e invistam em metrô nas grandes cidades.
Vamos parar de brincar e começar a agir com mais seriedade, o povo não merece esse desrespeito.
Já cheguei a conclusão que se a ponte nova ficar pronta em 6 meses vou é comemorar. Vamos aguardar, o incidente foi no dia 20 de abril, eles tem até 20 de outubro para entregar.
É ver para crer.


5 comentários:
Bruno,
Infelizmente o aparelho estatal brasileiro tem apenas uma única razão de existir: sustentar a si mesmo.
Eu comparo nosso serviço público àquelas bactérias que vivem em nosso intestino, se alimentando dos restos alimentares nossos. Assim é o Estado Brasileiro: um mero parasita, que se alimenta do nosso trabalho, que somos obrigados a sustentar porque é impossível eliminá-lo da nossa vida. E quando faz bem feito, o máximo que consegue fazer é um belo bolo de merda, essa é a verdade.
Por isso sou radicalmente a favor de eliminar toda e qualquer atividade estatal que não esteja relacionada diretamente à segurança nacional (setores estratégicos como energia por exemplo), à educação, à saúde e à segurança pública.
Já que não temos qualidade, que pelo menos gastemos o mínimo possível com esses parasitas...
prefeitos e cidades prejudicadas então entrando com ação civil publica contra união se não houver repasse de verbas.
Abraço, Gustavo Balieiro
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Bruno, somente hoje visitei seu blog, para ler o artigo "Seis Meses em Seis Dias". Aproveitei os outros artigos ali postados. Gostei. Pontuei-os com no mínimo 'inrteressante". Gostei também do seu estilo de escrever: simples, correto e direto, como se estivesse num papo com o seu leitor. Parabéns. Fábio S.
Bruno,
Concordo com seu irmão Flávio e adiciono mais um ponto: falta cidadania.
Falta cidadania em grande parte dos políticos, que vêm na legislatura uma oportunidade de "ganhar dinheiro" ao invés de fazer alguma coisa útil para o país.
Como o sistema está viciado, aqueles bem intencionados pouco conseguem fazer e, assim, a máquina pública se torna ineficiente e corrupta.
É simplesmente revoltante acompanhar o descaso com o bem público neste país.
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